SP aplicará terceira dose da vacina em maiores de 60 anos a partir de 6 de setembro

SP aplicará terceira dose da vacina em maiores de 60 anos a partir de 6 de setembro
Fila para vacinação contra Covid na UBS Cidade Vargas, bairro do Jabaquara, em São Paulo (23/07/2021). Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

SÃO PAULO — O estado de São Paulo começará a aplicação de uma terceira dose da vacina contra a Covid para pessoas com mais de 60 anos a partir de 6 de setembro, informou o governo nesta quarta-feira.

A aplicação de uma dose de reforço é defendida por especialistas diante da disseminação de novas variantes do coronavírus, como a Delta. Em São Paulo, o tema era debatido pelo Comitê Científico que assessora o governo do estado, pela Secretaria da Saúde e também com o comitê do Plano Estadual de Imunização (PEI). O grupo a ser imunizado com a dose de reforço é estimado em cerca de 900 mil pessoas.

— A decisão foi finalizada hoje pela manhã para aumentar a proteção do público com mais de 60 anos, mais suscetível aos efeitos da Covid — disse o governador João Doria, em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes.

Mais cedo, Doria havia dito que a decisão sobre a terceira dose seria tomada apenas em reunião amanhã. O anúncio na coletiva veio horas depois, e no mesmo dia em que o Ministério da Saúde afirmou que vai aplicar a dose de reforço a partir de 15 de setembro para idosos com mais de 70 anos e imunssuprimidos (pessoas com algum comprometimento do sistema imunológico).

Em São Paulo, a dose adicional será utilizada com a vacina disponível no momento, afirmou João Gabbardo, coordenador-executivo do Comitê Científico do estado.

— Todos devem receber a imunização adicional. O reforço não é para um imunizante específico. O que os dados mostram é que a variante Delta é mais resistente, e a proteção contra ela só é maior após a teceira dose para qualquer tipo de vacina — explicou Gabbardo.

Ele disse que ainda está em decisão se serão incluídas pessoas imunossuprimidas nessa vacinação de reforço. O tema será discutido em reunião prevista para amanhã, assim como detalhes do novo calendário para os idosos.

A ordem de vacinação seguirá em ordem decrescente de idade, iniciando pelas pessoas com mais de 90 anos.

— O cronograma será estabelecido de acordo com os cálculos de disponibilidade da vacina, feitos pela Secretaria de Estado da Saúde — afirmou Gabbardo.

Vacinados há menos de seis meses terão de esperar

Gabbardo reforçou, ainda, que serão vacinadas apenas as pessoas maiores de 60 anos que tomaram a segunda dose há mais de seis meses.

— Mesmo quem tiver mais de 60 anos, se a segunda dose ocorreu há menos de seis meses, terá de aguardar. Por uma questão técnica, porque é a partir do sexto mês que há possibilidade de queda da imunidade. Antes disso, não há necessidade.

Segundo Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico, o comitê analisou evidências de outros países onde a adoção de uma dose adicional ofereceu proteção extra à população mais vulnerável.

— É um passo a mais na segurança da proteção da população mais vulnerável essa possibilidade de ter a terceira dose ou dose adicional — afirmou Menezes.

Não será necessário fazer um novo cadastro no portal de vacinação "Vacina já" do governo do estado.

No Rio de Janeiro, com o avanço da variante Delta, o número de internações e mortes de idosos com as duas doses de vacina aumentou.

Antecipação de segunda dose indefinida

Sobre a possibilidade de antecipação da segunda dose, também já anunciada pelo Ministério da Saúde, o governo de São Paulo afirma que depende da disponibilidade de vacinas para adotar a medida.

— Estamos trabalhando, estamos vendo quem é essa população a ter a segunda dose antecipada, e dentro da possibilidade do calendário o faremos. Mas precisamos de mais doses de vacinas para fazer essa antecipação — afirmou a coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI) de São Paulo, Regiane de Paula.

São Paulo tem hoje uma ocupação de leitos de 37,87% em todo o estado, e 36,7% na Grande São Paulo. Segundo o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, esta é a oitava semana com quedas de número de casos, internações e óbitos em decorrência da Covid no estado.

— O fato de não termos uma disseminação tão significativa se deve ao impacto da vacinação e à proteção dos brasileiros em São Paulo — afirmou Gorinchteyn.

O uso obrigatório da máscara no estado segue em vigor até 31 de dezembro.

1,27 milhão sem segunda dose

Em paralelo ao anúncio da terceira dose, São Paulo tem outro desafio na imunização: a corrida pelos faltosos da segunda dose. O estado tem hoje 1,27 milhão de pessoas que não compareceram aos postos para concluir o esquema vacinal.

São 715 mil pessoas que ainda precisam tomar a segunda dose da CoronaVac, outras 511 mil da AstraZeneca e 47,7 mil da Pfizer.

— Olhe a sua carteira, um SMS chegou com certeza ao seu celular, verifique se está no prazo para tomar a segunda dose, e procure um posto de saúde — reforçou Regiane de Paula, coordenadora do PEI.

Na mesma coletiva, o governo anunciou ainda uma parceria entre o Instituto Butantan e o município de Guaxupé, em Minas Gerais, para mapear a transmissão local da Covid por meio de um inquérito epidemiológico e da realização do sequenciamento de variantes na cidade.

O Butantan realizará a testagem dos moradores de Guaxupé de sexta-feira (27) até domingo (29). Também está em avaliação a possibilidade de incluir habitantes da cidade nos ensaios clínicos da Butanvac, a vacina desenvolvida pelo Butantan contra a Covid.

Covas: "MS quer atingir CoronaVac"

O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, defendeu a vacina CoronaVac, produzida pelo instituto em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, ao ser questionado sobre a exclusão do imunizante no anúncio da terceira dose pelo Ministério da Saúde. O plano da pasta para a dose de reforço em idosos prioriza o uso das vacinas da Pfizer, AstraZeneca e Janssen.

Segundo Covas, a decisão do Ministério da Saúde é para "atingir" a CoronaVac, e "não está baseada em regra técnica".

— A CoronaVac acrescenta, como terceira dose, um aumento de até cinco vezes a estimulação de anticorpos, então isso não está baseado em regra técnica, é uma preferência do ministro para atingir a CoronaVac — afirmou.

Covas lembrou que o Ministério da Saúde e o governo federal já fizeram repetidos ataques ao imunizante, mesmo antes do início da campanha de vacinação. O Butantan deve entregar o último lote de vacinas previsto em contrato com a pasta até a próxima segunda-feira. Serão 17,2 milhões de unidades, de um total de 100 milhões acordados.

— Nosso contrato com o Ministério da Saúde vence esse mês. Vamos entregar as 100 milhões de doses e não temos programação de entregar mais doses — explicou o presidente do Butantan.

Fonte: Elisa Martins/O Globo.com