Kéfera Buchmann sobre validação como atriz: Já me rotularam muito

Kéfera Buchmann sobre validação como atriz: Já me rotularam muito
Kéfera Buchmann (Foto: @priscilaprade)

Quando Kéfera Buchmann surge no palco do Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, para apresentar o tema que será abordado no espetáculo Gaslight - uma Relação Tóxica, espectadores animados gritam “maravilhosa” e outros elogios para a estrela. Logo depois, ela entra em cena como Nancy, uma funcionária atrevida da casa de Jack (Giovani Tozi) e Bella (Erica Montanheiro). A atriz, que alcançou a fama por meio do YouTube, se alegra por levar para o teatro um público da internet.

“Fico feliz quando vejo o público que me acompanhava na plateia porque é muito difícil as pessoas irem ao teatro, infelizmente. Essa tem sido a minha missão no momento. Quando tem a galera lá na plateia, que comemora junto comigo em cena, fico muito feliz e grata”, celebra.

Kéfera também se alegra com a oportunidade de poder atuar neste espetáculo, o último de Jô Soares, que morreu antes do ensaio presencial com o elenco. Ela conta que admirava muito o trabalho do multiartista, apesar de ter tido um contato mesmo só em 2015, quando foi entrevistada no programa de TV que ele tinha.

“Meu contato com o Jô foi infelizmente só se deu em 2015, quando fui ao programa dele. Era um sonho estar ali e me lembro que saí chorando do estúdio porque achei que tivesse mandado mal na entrevista. Ele me ligou para falar que a entrevista tinha sido boa, que não era para eu ficar chateada e nem chorar. Foi superfofo comigo. Depois disso, o Giovani (Tozi), que também produz a peça, levou o meu nome para o Jô e ele se lembrou de mim. Ele falou: 'Se ela quer trabalhar comigo, diga que eu também quero trabalhar com ela'. Foi superquerido de novo. Foi inesperada a morte dele, que aconteceu uma semana antes da gente conseguir ensaiar presencialmente. Estar fazendo o último espetáculo do Jô é muita responsabilidade enorme e ter sido chamada para fazer o prólogo na peça também. Esse era um ritual do Jô, introduzir o assunto da peça através de prólogos”, conta.

Ela espera que oportunidades como essa quebrem o preconceito que algumas pessoas têm por ela ter sido um ícone da internet antes de investir de fato na carreira de atriz.

“Já me rotularam muito como youtuber. Não sinto que conquistei o lugar que quero conquistar como atriz, mas estou tentando isso por meio dos espetáculos que faço. Acredito que daqui a pouco a galera vá entender que sou uma atriz mesmo”, anseia Kéfera, que também está em cartaz, no mesmo teatro, com É Foda!, um espetáculo autobiográfico.

“Conto a minha trajetória, a minha busca pela validação como atriz, minha vida adulta, a forma com que lido com a ansiedade, ex-namorados… Sou muito grata pelas oportunidades que eu tive graças ao Youtube. Uma carreira que aconteceu sem querer porque o foco sempre foi atuar. A internet foi ganhando corpo e passei dez anos ali. Encerrei esse ciclo dois anos atrás e agora retomei o canal de forma mais leve, postando um vídeo ou outro, inclusive falando da minha peça e dos bastidores”, explica.

Como foi o convite para fazer Gaslight?

Eu estava escrevendo meu espetáculo e quando terminei, fui procurar pautas em teatros. Eu liguei coincidentemente para o Giovani (Tozi), que também é o produtor da peça junto com a Priscila Prade. Eu me apresentei: ‘Meu nome é Kéfera, sou atriz, quero ter a oportunidade de trabalhar com vocês um dia, se eu puder mostrar meu material… ’. Três dias depois chegou um convite para faze Gaslight.

Sua personagem transita entre o humor e o mistério. Como foi achar o tom certo?
Com a direção e preparação. O diretor é o Maurico Guilherme e o preparador é o Luiz Damasceno. Foi através de muito ensaio. Está sendo muito divertido fazer.

O espetáculo fala de relacionamentos tóxicos. Você identificou algumas situações com relacionamentos que teve? Acredita que falar sobre o tema possa ajudar outras pessoas a identificarem o problema e saírem de relacionamentos assim?

Com certeza! Já passei por relacionamento tóxico… Acho importante, através da arte, explicar mais sobre esse assunto. A gente já viu pessoas na plateia chorando ao final do espetáculo. Algumas vieram dar um feedback que se identificaram com a história. É importante mostrar esse assunto para que as pessoas consigam se livrar dessas situações.  

Você também está em cartaz com outro espetáculo. Como é estar com duas peças em cartaz?
A vida foi encaixando, nem foi uma decisão minha. Não achei que faria Gaslight, mas no fim rolou o convite. E eu já estava com o meu espetáculo pronto, com o desejo grande de mostrar minha real vocação. Calhou das datas serem próximas, mas não é um incômodo para mim. Já estava acostumada. Teve uma vez em que fiquei com cinco peças ao mesmo tempo em cartaz. Não tenho problema com isso. Quanto mais, melhor.

Fonte: Quem News/Globo.com